Porque demora 8 a 12 semanas
Quem procura online rapidamente encontra promessas de importação em "duas semanas" ou "15 dias". Na prática, o calendário honesto para um carro usado comprado na Alemanha, legalizado e matriculado em Portugal, é de 8 a 12 semanas quando tudo corre bem. Três fatores determinam o timing:
- Logística física — o veículo tem de sair da Alemanha, atravessar a Europa e chegar a Portugal. O transporte rodoviário ou ferroviário demora, em média, 7 a 14 dias consoante a janela do transportador.
- Prazos documentais na origem — o Certificado de Conformidade Europeu (COC) é emitido pelo fabricante e, segundo a gov.pt, demora habitualmente entre 5 e 15 dias dependendo da marca.
- Processos administrativos em Portugal — homologação no IMT, inspeção de categoria B, submissão da DAV, pagamento do ISV e emissão de matrícula. Cada etapa depende da anterior estar concluída e correta.
Compressão deste calendário quase sempre significa saltar verificações. É nas verificações saltadas que aparecem as surpresas posteriores — COC inválido, cilindrada errada na DAV, classificação ambiental desajustada. Neste guia privilegiamos o cronograma realista.
Fase 1 — Pesquisa e inspeção (Semanas 1 a 3)
Semana 1: briefing e pesquisa inicial
Tudo começa com um briefing claro: modelo, motorização, ano, quilometragem máxima, equipamento essencial, orçamento global. Com este perfil definido, iniciamos a pesquisa nos principais portais alemães — Mobile.de, Autoscout24 — e nas redes de stands parceiros que, muitas vezes, têm viaturas antes destas chegarem a leilões públicos.
A pesquisa é filtrada por critérios que fazem diferença na importação: preferência por veículos com COC disponível, histórico de manutenção documentado, data de primeira matrícula coerente com o objetivo fiscal e norma de emissões compatível com a atual legislação portuguesa (Euro 6d ou Euro 6e-bis, consoante o caso).
Semanas 2 e 3: shortlist e inspeção física
Apresentada uma shortlist de 3 a 5 viaturas, o cliente valida o caminho. A partir daí, cada candidata passa por inspeção física antes de qualquer reserva. Isto envolve deslocação ao stand ou ao particular para verificar:
- Correspondência física com o anúncio (quilómetros, equipamentos, estado visual)
- Integridade mecânica — ruídos, vazamentos, reação em arranque frio
- Sinais de sinistro não declarado — paralelismo de painéis, diferenças de pintura, etiquetas originais
- Presença e validade do COC ou possibilidade de o obter junto do fabricante
É nesta fase que muitas candidatas são descartadas. Uma viatura pode estar perfeita online e revelar, ao vivo, um histórico de sinistro que compromete o negócio. O objetivo desta fase não é fechar rápido — é fechar certo.
Fase 2 — Compra e transporte (Semanas 3 a 6)
Semana 4: reserva, contrato e pagamento
Escolhida a viatura, avançamos para reserva formal (habitualmente sinal por transferência bancária internacional), contrato de compra e venda em nome do comprador ou do mandato que nos foi dado, e planeamento do transporte. O pagamento do remanescente acontece em articulação com o vendedor, sempre com comprovativos digitalizados e traceabilidade bancária.
Semanas 5 e 6: transporte Alemanha — Portugal
O transporte é agendado imediatamente após a liquidação. Operadores profissionais usam camiões-grua fechados (porta-carros) com seguro all-risk durante o trânsito. O percurso típico Alemanha → Portugal demora 7 a 14 dias corridos consoante a rota, paragens e a fila no ponto de partida.
Durante este período preparamos já a documentação que o veículo precisa à chegada: cópia da fatura de compra, documento de circulação alemão (Fahrzeugbrief / Fahrzeugschein), certificado de conformidade se o vendedor o entregou, documento de transporte (CMR) e, se necessário, certidão de não penhora.
O transporte em porta-carros fechado é obrigatório em viaturas premium. Transporte em aberto é uma opção básica de custo reduzido, mas expõe pintura e vidros a pedras e detritos da estrada — em viatura premium, é um risco que não se assume.
Fase 3 — Chegada a Portugal e início da legalização (Semanas 6 a 8)
Semana 7: receção e verificação documental
A viatura é recebida nas nossas instalações. O primeiro passo é uma verificação pós-transporte — confirmar que chegou em estado idêntico ao que saiu (registo fotográfico obrigatório) e que o transportador entregou toda a documentação prometida.
Se o COC não veio com a viatura, é este o momento de o pedir ao fabricante. Segundo a gov.pt, os prazos médios de emissão de COC variam entre 5 e 15 dias dependendo da marca. Em viaturas raras ou descontinuadas, pode demorar mais.
Semana 8: início da homologação IMT
Com o COC em mãos, pedimos a transposição da homologação no portal CHNAC do IMT. Este passo atribui ao veículo o número de homologação nacional português, indispensável para submeter a DAV e emitir matrícula.
Em paralelo, é agendada a inspeção de categoria B no centro autorizado mais próximo. Esta inspeção, obrigatória para todos os veículos importados independentemente da idade, verifica a conformidade técnica para circulação em Portugal — componentes, equipamentos, luzes, identificação do número de chassis, e verificação do hodómetro.
Fase 4 — Homologação e inspeção (Semanas 8 a 10)
Semana 9: resultado da homologação IMT
A homologação nacional é obtida habitualmente 5 a 10 dias úteis após submissão, desde que o COC esteja completo e correto. Em viaturas com particularidades (importações paralelas do mesmo modelo em versões ligeiramente diferentes, equipamentos não homologados na UE) pode ser exigida documentação adicional.
Semana 10: inspeção categoria B aprovada
Com a inspeção aprovada, o centro emite o certificado de inspeção técnica necessário para a DAV. Se a inspeção identificar não conformidades (pneus fora da norma, luzes com padrão não europeu, vidros com autocolante não homologado), corrigimos antes de reagendar. Este é um ponto onde veículos comprados a particulares sem preparação podem atrasar uma ou duas semanas.
Fase 5 — ISV, matrícula e registo (Semanas 10 a 12)
Semana 10-11: DAV e pagamento do ISV
A Declaração Aduaneira de Veículo (DAV) é submetida através do Portal Aduaneiro da Autoridade Tributária. Preenche-se com os dados técnicos oficiais do veículo — cilindrada, emissões CO2 (WLTP), data da primeira matrícula, combustível, classificação ambiental. Gerado o DUC (Documento Único de Cobrança), paga-se o ISV no prazo legal.
Os prazos legais, conforme Autoridade Tributária:
- 20 dias úteis após a entrada do veículo em Portugal para submeter a DAV e pagar o ISV
- Durante este período, o veículo pode circular em território nacional ao abrigo da DAV por um máximo de 60 dias corridos
- Após o pagamento do ISV, o pedido de matrícula tem de ser feito dentro desses mesmos 60 dias da DAV
Semana 11-12: pedido de matrícula e registo final
Pago o ISV, pedimos a matrícula portuguesa via IMT Online. Os valores da taxa de matrícula são definidos pelo IMT e variam consoante o veículo tenha ou não COC — a diferença é significativa quando o COC está em falta. Emitida a matrícula, resta o registo automóvel na Conservatória do Registo Automóvel, que finaliza a titularidade em nome do comprador.
Com o DUA (Documento Único Automóvel) emitido, a importação está formalmente concluída. O cliente recebe o veículo com matrícula portuguesa, inspeção válida, registo definitivo e toda a documentação organizada.
Em 12 semanas, um carro que estava no stand alemão está matriculado, registado e legal em Portugal. O que parece longo à distância é, na verdade, o tempo mínimo para fazer o processo em condições.
Prazos legais que não se podem falhar
A legislação portuguesa impõe três prazos estritos. Falhar qualquer um deles implica coimas ou dificuldades adicionais:
- 20 dias úteis — prazo para submeter a DAV e pagar o ISV a contar da data de entrada do veículo em Portugal (tipicamente a data de descarga do porta-carros)
- 60 dias corridos — prazo máximo de circulação com a DAV, dentro do qual tem de ser emitida a matrícula portuguesa
- 60 dias após matrícula — prazo para efetuar o registo automóvel; ultrapassado, a taxa de registo aumenta significativamente
Este é o principal motivo pelo qual a importação não admite improvisação. Os prazos correm em cadeia: o atraso de um passo comprime todos os seguintes.
Quando o cronograma pode derrapar
Apesar do calendário-tipo, há situações em que um processo bem planeado pode estender-se para 14 ou 16 semanas:
- COC em falta ou atrasado — viaturas de marcas menos comuns ou modelos descontinuados podem levar 3 a 6 semanas para obter duplicado do COC
- Inspeção reprovada — não conformidades identificadas obrigam a correção e nova inspeção, adicionando 1 a 2 semanas
- Transporte atrasado — condições meteorológicas, greves de transportadores ou porta-carros com avaria podem adiar a chegada em 1 a 2 semanas
- Dúvidas na DAV — se a Autoridade Tributária pede esclarecimentos sobre a classificação, o processo fica em espera até resposta
- Alterações legislativas a meio do processo — menos frequente mas possível; o OE 2026 alterou, por exemplo, o limiar de emissões para PHEVs a meio do ano
O que depende do cliente vs do CCP
Numa importação bem estruturada, o envolvimento do cliente é pontual e sempre em momentos de decisão:
O cliente decide e assina
- Briefing inicial — o que procura e por que razão
- Aprovação da shortlist — quais as candidatas a avançar para inspeção física
- Validação final antes da compra — último sim após inspeção física
- Pagamento — transferência do valor de compra (vendedor) e das taxas administrativas
- Procuração — mandato legal para tratar do processo em nome do cliente
- Escolha de seguro e financiamento (se aplicável)
O CCP trata de tudo o resto
- Pesquisa de mercado e filtragem de candidatas
- Negociação com vendedor e formalização do contrato
- Inspeção física no terreno
- Organização do transporte seguro
- Gestão do COC e documentação de origem
- Homologação IMT (portal CHNAC)
- Agendamento e acompanhamento da inspeção categoria B
- Submissão da DAV e pagamento do ISV
- Pedido de matrícula e registo automóvel final
- Entrega do veículo já legalizado ao cliente
Esta divisão permite ao cliente manter controlo total sobre as decisões que importam — modelo, orçamento, timing — enquanto delega a execução operacional e a navegação burocrática.
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